Arginina e NO – a suplementação da moda
O óxido nítrico (NO) é um gás naturalmente presente em nosso organismo, envolvido com uma série de importantes funções, tais como: modular a resposta imunológica, auxiliar no processo de cicatrização, promover vasodilatação e a angiogênese (síntese de novos vasos sangüíneos), minimizar o surgimento da aterosclerose (entupimento arterial), dentre outros benefícios. Por estes motivos, atualmente uma das linhas de produtos mais vendida é aquela que vem com a sigla “NO” no painel frontal dos rótulos. Desta forma, torna-se imprescindível o conhecimento a respeito dos precursores nutricionais do NO, quais as doses recomendadas e seus efeitos em indivíduos saudáveis fisicamente ativos.
A L-arginina é um aminoácido condicionalmente essencial ingerido, normalmente, através da nossa alimentação e sintetizado pelo nosso organismo primariamente nos rins a partir de L-ornitina e da L-citrulina, que, dentre outras funções, atua como precursor do NO. Entretanto, ainda pouco se conhece a respeito dos efeitos da suplementação com L-arginina, quando utilizado como recurso para aumento das concentrações fisiológicas de NO em humanos.
“É imprescindível o conhecimento a respeito dos precursores nutricionais do NO, quais as doses recomendadas e seus efeitos em indivíduos saudáveis fisicamente ativos”. |
Estudos preliminares, conduzidos por meio da utilização de cobaias animais, demonstraram resultados satisfatórios em relação à suplementação com L-arginina sobre a síntese do NO. Segundo Maxwell et al. (2001) a suplementação com L-arginina aumentou a síntese de NO induzida pelo exercício e a capacidade aeróbica de ratos saudáveis. Este mesmo grupo de pesquisadores, também investigou os efeitos da suplementação com L-arginina em ratos hipercolesterolêmicos e com reduzida capacidade aeróbica, além de verificarem uma evolução no desempenho físico destes animais.
Posteriormente, estudos com humanos começaram a ser publicados, de modo que em uma das mais recentes, McConell et al. (2007) concluiu que, já está claramente demonstrado que a suplementação com L-arginina pode trazer benefícios para humanos, mediante a co-existência de algumas situações patológicas. Foi justamente o que havia sido demonstrado por Lucotti et al. em 2006. Eles suplementaram 33 Diabéticos Tipo II com 8,3 g de L-arginina ou placebo, durante 21 dias. Todos eles foram submetidos a um programa de exercícios e dieta hipocalórica e, ao final, todos os indivíduos apresentaram diminuição da glicemia, do peso corporal e da circunferência da cintura. Mas, no grupo suplementado houve maior redução da massa adiposa e preservação da massa corporal magra.
Entretanto, outros autores acreditam que a suplementação com L-arginina não traria os mesmos benefícios para indivíduos saudáveis (Abel et al., 2005; Loscalzo, 2004; McConell et al., 2007). Além disso, segundo Tipton et al. (2001) mesmo que a suplementação com L-arginina seja capaz de melhorar o fluxo sanguíneo, em função da aceleração da produção de NO, o estímulo à síntese de proteína muscular dependerá de que outros aminoácidos ou proteínas sejam ingeridos simultaneamente. Já, de acordo com Volpi et al. (2003),
caso a nossa alimentação forneça uma quantidade adequada de aminoácidos essenciais, a ingestão de L-arginina torna-se desnecessária.
“A adequação da dose a ser suplementada torna-se uma tarefa difícil, já que o consumidor não tem acesso à informação referente à quantidade de |
Vale destacar também que, após ingestão de L-arginina, uma quantidade é metabolizada pelos enterócitos (células intestinais) e fígado, desta forma, somente uma parte consegue atingir a circulação. Isso explica porque a suplementação oral parece ser bem menos eficiente (McConell et al., 2007). Além disso, nem todos os produtos presentes no mercado, os quais supostamente auxiliariam na liberação do NO, apresentam a adição de L-arginina na composição. O mais comum é encontrarmos fontes protéicas na composição, que seriam fontes naturais deste aminoácido. Entretanto, a adequação da dose a ser suplementada torna-se uma tarefa difícil, já que o consumidor não tem acesso à informação referente à quantidade de L-arginina disponível em uma determinada dose de proteína sugerida.
Com base no acima exposto, considera-se a utilização destes produtos ainda pouco relevante, tendo em vista a falta de dados que sustentem os efeitos benéficos da suplementação com L-arginina para indivíduos saudáveis. Isso ocorre devido à limitação do conhecimento a respeito das doses ergogênicas recomendadas e às dificuldades para escolha de um produto que possa, de fato, fornecer quantidades suficientes de L-arginina por dose diária recomendada.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Letícia Azen Alves
Nutricionista
Instituto de Pesquisa de Capacitação Física do Exército (IPCFex)
Uma das autoras do livro Estratégias de Nutrição e Suplementação no Esporte – Ed. Manole – 2005.
Atendimento Nutricional: 2294-2126/ 2493-2950/ 3353-1641.
E-mail: letinutri@oi.com.br
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