
A suplementação de cafeína tem demonstrado eficácia no aumento do desempenho e no tempo de reação em praticantes de diferentes tipos de exercício. Nesta edição examinaremos o impacto da suplementação de cafeína sob marcadores hematológicos em condições de endurance.
O treinamento de endurance pode provocar alterações no hemograma acarretando, em alguns casos, a queda no rendimento do atleta. A suplementação de cafeína parece aumentar o número de hemácias em aproximadamente 4%. Aparentemente este aumento no hematócrito deve-se à mobilização do setor vermelho ocorrido durante o exercício, e não por uma hemoconcentração.
O exercício provoca aumento do setor branco circulante, especialmente pela mobilização das células de defesa que se mantém em santuários. A cafeína promove aumento dos monócitos circulantes, independentemente do exercício e uma ação sinérgica ao exercício nos segmentados. Já os bastões sobem, somente, sob administração da cafeína e prática de exercício. Este processo inflamatório subagudo parece ser provocado pelo efeito sinérgico da cafeína e exercício combinado ao aumento de catecolaminas.
A cafeína pode modular a agregação plaquetária devido à sua ação nos receptores purinérgicos (Figura 1).

Figura 1: Atividade modulatória da adenosina e a cafeína na atividade neuronal. A cafeína compete pela ação da adenosina nos seus receptores.
As plaquetas são responsáveis pelos estímulos que provocam a saída de células dos santuários, podendo provocar leucocitose através de mecanismos musculares e vasculares traumáticos que são acionados na realização da atividade física (Figura 2).

Figura 2: Modelo proposto do mecanismo neuroendócrino sobre o sistema imune. Extraído de Pedersen & Tott (2000).
O exercício promove injúria celular com instalação de um processo inflamatório agudo, levando a mobilização de toda subpopulação de linfócitos para o sangue durante e após o exercício. A concentração de linfócitos se eleva durante a atividade física devido ao recrutamento de subpopulações,(marcadamente células: CD4 T; CD8 B; CD19 T, CD 16 NK e CD 56 NK) de linfócitos para o sangue, declinando após o exercício de forma dependente a intensidade da atividade.
A cafeína parece atuar como pró-inflamatório através dos efeitos mediados pelo AMPc e pela proteína kinase A, além disso, é proposto que a cafeína iniba as reações anapleróticas imunológicas e não-imunológicas in vivo e in vitro no modelo em ratos.
O mecanismo mais provável é que lesões na microvasculatora muscular provocadas pelo estresse físico estimulem a produção e liberação de VEGF pelas células endoteliais e plaquetas. Estes eventos levariam à liberação de integrinas pelo endotélio que provocariam a migração transendotelial e a entrada de leucócitos na corrente sanguínea. Além disso, o processo inflamatório agudo desencadeado pelo esforço estimula a liberação de citocinas pelos linfócitos e macrófagos que estimulam a migração dos neutrófilos para o local de injúria na corrente sanguínea.
Supõe-se que o aumento expressivo da leucometria nos atletas suplementados com cafeína é devido ao maior estresse muscular, provocando maiores lesões endoteliais e musculares causando um efeito indireto na leucometria.
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Adriana Bassini1 5, João Pedro S. W. de Castro1 4 & L.C.Cameron1 2 3
1 Laboratório de Bioquímica de Proteínas – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
2 Instituto de Genética e Bioquímica – Universidade Federal de Uberlândia
3 Programa de Pós Graduação em Ciência da Motricidade Humana – Universidade Castelo Branco
4 Departamento de Biociências da Atividade Física – EEFD/ UFRJ
5 Programa de pós-graduação em genética e bioquímica – UFU
Autor correspondente:
L. C. Cameron, Ph. D.
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CEP 22290-240
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Fale com o autor: cameron@unirio.br
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