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Na publicação de setembro, abordamos a Parte I deste tema e concluímos que a suplementação de cafeína aumenta a resposta aguda do sistema inflamatório por efeitos hormonais indiretos. Nesta edição, correlacionaremos o aparecimento de enzimas no sangue como marcadores de lesão muscular durante a suplementação de cafeína associada ao exercício. |
“Foi demonstrado em in vitro que a cafeína aumenta a força muscular, porque facilita a ativação da célula nervosa que controla as fibras musculares”. |
Foi demonstrado em in vitro que a cafeína aumenta a força muscular, porque facilita a despolarização (ativação) da célula nervosa que controla as fibras musculares. A interação da cafeína com o músculo estriado é mediada pelo receptor de rianodina com aumento do Ca2+ disponível para a contração muscular (Herrmann-Frank et al., 1999; Warren et al., 2001; Walton et al., 2002). Além disso, há inibição da fosfodiesterase, aumento no AMPc, diminuição da espoliação de glicogênio e aumento na oxidação de gorduras (Graham et al., 1991a; 1991b). O incremento de carga constante durante a atividade física promove microlesões, advindas do estresse mecânico, que inicia os mecanismos de dor muscular aguda (Motl & Dishman, 2004).
Os marcadores de lesão muscular
Nosso laboratório e outros diversos centros de pesquisa analisam a atividade, no sangue, de várias enzimas presentes no músculo e outros órgãos como marcadores de lesão tecidual. Algumas dessas enzimas são expressas em mais de um tecido, o que dificulta a identificação precisa do local lesionado. Entretanto, a mensuração de várias enzimas pode nortear o diagnóstico. Na maioria das vezes, usamos a concentração total de uma determinada enzima no sangue para precisar a origem da lesão e usamos a correlação entre enzimas de tecidos diferentes como controle.
Várias enzimas são candidatas para o diagnóstico de lesão muscular, tais como a creatina quinase (CK), a lactato desidroqenase (LDH), a aspartato desidrogenase (AST), alanina aminotransferase (ALT), fosfatase alcalina (FA). Contudo, elas também aumentam no sangue frente a lesões hepáticas e cardíacas. A enzima gGT é uma enzima exclusiva do fígado, o que ajuda muito na discriminação de uma lesão muscular ou hepática. Para o diagnóstico de lesão cardíaca, a isoforma da CK que será mensurada é a CK-MB. Portanto, conseguimos inferir se uma lesão é cardíaca, muscular ou hepática.
“A suplementação de cafeína durante o exercício aumenta o aparecimento sanguíneo CK, LDH em aproximadamente 40%”. |
A suplementação de cafeína durante o exercício aumenta o aparecimento sanguíneo CK, LDH em aproximadamente 40% . É sabido que a janela de aparecimento das CKs e LDH no sangue é de 24-72 h (Chen & Hsieh, 2001) e diretamente proporcional à intensidade e duração da atividade. Em exercícios extenuantes, a atividade dessas enzimas, no sangue,
pode aumentar em até 1400 % (Hoffman, 2002; Chevion et al., 2003).
Por outro lado, indicadores mais agudos de lesão muscular como aspartato desidrogenase (AST), alanina aminotransferase (ALT), fosfatase alcalina (FA) e gama-glutamil transferase (dGT- enzima exclusivamente hepática) apresentam respostas diferentes ao exercício e a suplementação (Haralambie, 1976). Podemos observar, na Tabela abaixo, a sinergia entre a suplementação de cafeína e o exercício para ALT que, sozinho, é capaz de induzir ao aumento de AST e FA.
Tabela – Concentrações das enzimas (U/L) pré e pós-exercício. |
||||
VARIÁVEL |
CEx (n = 10) |
LEx (n = 9) |
||
Pre |
Post |
Pre |
Post |
|
ALP |
67.7 ± 5.8 |
85.1 ± 4.6 *, a |
74.8 ± 5.8 |
81.0 ± 7.6 |
ALT |
28.3 ± 2.2 |
45.9 ± 3.5 *, c |
30.7 ± 1.9 |
43.8 ± 2.7 *, c |
AST |
38.4 ± 3.6 |
51.2 ± 5.2 * |
36.9 ± 3.1 |
48.9 ± 4.7 |
¡ GT |
25.5 ± 1.4 |
29.5 ± 2.2 |
33.4 ± 5.4 |
31.9 ± 6.2 |
CK |
556.5 ± 139.4 |
714.3 ± 187.1 * |
618.2 ± 123.8 |
707.1 ± 130.9 * |
CKMB |
17.6 ± 4.0 |
26.1 ± 4.4 * |
16.9 ± 2.2 |
22.0 ± 2.8 * |
LDH |
291.1 ± 19.3 |
393.8 ± 28.1 * |
325.7 ± 18.1 |
408.4 ± 22.5 * |
Média ± SE das concentrações de fosfatase alcalina (ALP), aspartato aminotranferase (AST), alanina aminotranferase (ALT), gama-GT (¡ GT), creatina isoforma muscular (CK), creatina isoforma encefálica (CKMB), lactato desidrogenase (LDH). * aumento entre pré e pós-exercício (p < 0,05); a, D C ¹ D CEx; b, D C ¹ D LEx; c, D LEx ¹ D CEx.
Nosso laboratório estudou o efeito da suplementação de cafeína em atletas de futebol de elite suplementados com 5mg. kg-1 de cafeína 1h antes do teste. Estes jogadores foram submetidos a exercícios de intermitentes (corrida de distância variadas) e máximos (Yo-Yo teste) (Bassini-Cameron et al., 2007). Esta experiência levou-nos a observar uma associação entre marcadores clássicos de lesão muscular e hepática (Gráficos 1-4). Desta forma, verificamos maior quantidade de AST, ALT, FA, CK e LDH nos sujeitos suplementados (Bassini-Cameron et al., 2007), concluindo que a cafeína age induzindo a ruptura da célula muscular e não do hepatócito (concentrações constantes de d-GT), aumentando a lesão muscular aguda.
BIBLIOGRAFIA
Adriana Bassini1 5, João Pedro S. W. de Castro1 4 & L.C.Cameron1 2 3
1 Laboratório de Bioquímica de Proteínas – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
2 Instituto de Genética e Bioquímica – Universidade Federal de Uberlândia
3 Programa de Pós Graduação em Ciência da Motricidade Humana – Universidade Castelo Branco
4 Departamento de Biociências da Atividade Física – EEFD/ UFRJ
5 Programa de pós-graduação em genética e bioquímica – UFU
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