Continuando com o tema “medo”, nesta edição, falaremos sobre este aspecto do desenvolvimento emocional. Como havia escrito nos artigos de outubro e março, desde o útero o feto recebe vários estímulos internos e externos que influenciam o organismo. Esta relação é inerente à sobrevivência, pois se o feto/organismo não responder de forma adequada, o desenvolvimento cerebral pode ser prejudicado.
Ao nascer, o primeiro estímulo/”choque” que o bebê recebe é a luz, mas logo se adapta ao novo mundo. A partir desse momento, nos próximos anos, o medo é um dos aspectos emocionais mais importantes no desenvolvimento cerebral. Segundo o prof. Paul Ekman, da Universidade da Califórnia, há 6 tipos de emoções básicas em humanos: medo, alegria, tristeza, raiva, nojo e surpresa. A partir dessas emoções, construímos variações/combinações para expressarmos os nossos sentimentos. E desde que nascemos já manifestamos essas emoções básicas, fundamentais à sobrevivência.
“O medo é um dos aspectos emocionais mais importantes no desenvolvimento cerebral”. |
O bebê/a criança a medida que vai crescendo e tomando mais consciência sobre a realidade, o grau/intensidade dos aspectos emocionais vai se moldando à realidade, principalmente em relação aos adultos que convivem juntos. É nesse período que as crianças mais precisam da educação emocional, pois está relacionada à sobrevivência: segurança/conforto, alimentação e sono. |
Período também, onde a criança tem suas fantasias/criações através dos programas infantis de TV, da educação religiosa, das histórias infantis de livros, entre outros meios que ela vai construindo a realidade. Essa construção da realidade vai depender muito da ansiedade, que é inerente à pessoa e a como o organismo responde aos estímulos ambientais. Desde que nascemos, vamos adquirindo os nossos medos, angústias e tristezas que vão fazendo parte do repertório comportamental da nossa personalidade. importante colocar que durante o desenvolvimento cerebral, cada criança tem o seu período de maturação mental. Em uma turma de crianças com a mesma idade na pré-escola podem apresentar desempenhos cognitivos, emocionais e sociais diferenciados. Além disso, em relação ao gênero, a aprendizagem emocional difere os meninos das meninas.
Nas últimas décadas, presenciamos cada vez mais a participação feminina (cerca de 95%) na educação das crianças, desde o nascimento até o término do ensino fundamental I (dez anos). A mãe, a tia, a babá, a avó e a vizinha/amiga cuidando das crianças. A presença do pai ou do homem é muito pequena ou quase total na participação do desenvolvimento infantil. Se o cérebro do menino é diferente da menina, então é fundamental que a presença dos homens no desenvolvimento infantil seja levada em consideração, desde a pré-escola. Onde estão os educadores físicos do sexo masculino? | “O medo se manifesta de maneira diferenciada no homem e na mulher”. |
O medo se manifesta de maneira diferenciada no homem e na mulher. A criança, então, vai perceber que há diferença emocional do homem/pai em relação a uma mulher/mãe, porém o aprendizado emocional será influenciado muito mais por uma educadora. Por outro lado, um estudo mostrou que na educação emocional, o importante é que o responsável pela educação da criança seja emocionalmente e socialmente “equilibrado”, independentemente do gênero. Se desempenharmos bem o papel na educação emocional e social durante o desenvolvimento infantil, as diferenças comportamentais serão pequenas.
Assim, o medo e a ansiedade caminham juntos, são sinônimos, mas com manifestações comportamentais diferentes. A diferença de um para o outro é que, geralmente, quando você sente medo, sabe o que está te assustando. Enquanto que a ansiedade não nos leva a consciência da causa.
No próximo artigo vou falar um pouco sobre Ansiedade, Estresse e como medir/avaliar a Variabilidade da Freqüência Cardíaca (VFC) a partir do freqüencímetro cardíaco Polar S810i. Além disso, mostrar algumas técnicas de respiração que contribuem para aumentar a VFC e diminuir o estresse e ansiedade.
Leituras Complementares: 01/11/2007 – Fórum de Discussão sobre Fobia. Você tem fobia? Se sim, como a enfrenta? Bons conselhos para educar seu filho 19/11/2007 - 16h10 - Bebês deveriam engatinhar mais
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Prof. Dr. Emílio Takase
Laboratório de Neurociência do Esporte e Exercício – Rede Cenesp/Ufsc
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