
Introdução
Todas as células do corpo apresentam potencial elétrico. Isto ocorre em razão de uma concentração assimétrica de íons entre os meios intra e extraceluar. O meio intracelular tende a cargas negativas, graças ao predomínio de íons fosfatos e de proteínas aniônicas (Heneine, 1987, p.216; Vander et al., 1981, p.173). Como o coração está suspenso num meio condutor, a corrente elétrica gerada pela onda de despolarização durante contração propaga-se até a superfície corporal. Pode-se assim, captar estes sinais com eletródios impolarizáveis ligados a amplificadores de registros bifásicos. Desta forma, determinando-se a voltagem e a duração dos eventos elétricos e mecânicos do coração (Guyton & Hall, 1996, p. 129; Heneine, 1987, p. 218).
A técnica descrita acima vem sendo empregada na medicina há muitos anos, sendo conhecida como eletrocardiografia (ECG). Na década dos anos 80 surgiram no mercado, para o uso desportivo, aparelhos que empregam o mesmo princípio.
Estes são compostos por uma cinta para uso no tórax que contém os eletródios que captam os sinais e os enviam por telemetria a um receptor posicionado no punho do atleta. O monitor integra continuamente, a cada cinco segundos, a freqüência cardíaca por minuto. Tais monitores têm sido amplamente empregados para a avaliação e controle do treinamento desportivo (Pompeu, 1994; Flegner, 1992; Urhausen et al., 1993; Gilman & Ells, 1993; Foster et al., 1993).
Contudo, a qualidade destes equipamentos não foi satisfatoriamente avaliada. Portanto, o objetivo deste estudo foi determinar a validade do monitor da marca POLAR (Polar Electro Inc. - Finland) quando comparado com o método tradicional do ECG.
Material e métodos
Foram sujeitos deste estudo quatro indivíduos do sexo masculino e um do sexo feminino, hígidos e ativos fisicamente. Os dados antropométricos do grupo foram apresentados na Tabela 1.
Os indivíduos foram submetidos ao teste ciclo ergométrico com cargas escalonadas e contínuas de 12,5 watts a cada minuto, até a exaustão voluntária.
Foram monitorados simultaneamente o ECG (SDM Dixtal 2000â - Dixtal Tecnologia, Brasil) e a FC pelo monitor Polarâ (Polar Electro Inc. - Finland). O ECG foi registrado em um canal nas derivações MC5; D2 e V1, conforme Freitas & Vivacqua (1986, p. 65). A cada estágio, a distância entre duas ondas R subseqüentes era medida em três complexos QRS próximos e, empregou-se a média para o cálculo da FC, dividindo-se 1500 por esta distância em milímetros.
Empregou-se o teste t de student para determinar a diferença entre as médias. Para medir a associação entre os dois métodos utilizou-se a análise de regressão linear, o erro padrão da estimativa e o coeficiente de correlação produto momento de Pearson. O nível de significância aceito neste estudo foi de a £ 0,01.
Resultados
Foram obtidos 77 pares de FC, sendo que a média para o ECG foi de 145 ± 31 bpm e do monitor Polar de 141 ± 32 bpm. A diferença observada entre os equipamentos não foi significativa. Houve uma pequena dispersão dos pontos que pode ser observada na Figura 1. Observou-se também, uma boa associação entre os pares, com a reta da regressão próxima a linha de identidade, com o elevado coeficiente de determinação (r2 = 0,97),com pequeno erro típico da medida (3 bpm) e com baixo coeficiente de variação (C.V. = 2,31%). Os dados aqui encontrados coincidem com os de Leger & Thiuierge (1988), em um estudo que confrontou o monitor Polarâ e o ECG, durante um teste no ciclo ergômetro.
Sujeitos |
Sexo |
Idade (anos) |
Peso (kg) |
Estatura (cm) |
1 |
F |
16 |
76,5 |
176 |
2 |
M |
30 |
82,6 |
188 |
3 |
M |
27 |
67,3 |
170 |
4 |
M |
20 |
71,2 |
175 |
5 |
M |
25 |
66,8 |
177 |
TABELA 1. - Características antropométricas do grupo
Conclusão
O carditacômetro telimétrico Polar® (Polar Electro Inc - Filand) apresenta leituras precisas da freqüência cardíaca.
Fernando A. M.S. Pompeu, D.Sc.
Laboratório de ergoespirometria - HSE/UFRJ
Referências
FLEGNER, A.J. Lactate vs running velocity curves of the brazilian national soccer team for the World Cup - 90:’In: Int. Round Table Conf. on sports Physiol. Budapest, God, Hungry, May 11-13, pp.51-60, 1992.
FOSTER, C.; COHEN, J.; DONAVAN, K.; GASTRAU, P.; KILLIAN, P.J.; SCHRAGER, M. & SNYDER, A.C. Fixed time versus fixed distance protocols for the blood lactate profile in athletes. International Journal of Sports Medicine. v. 14, n. 5, pp. 264-268, 1993.
FREITAS, R. H. & VIVACQUA, R. Metodologia do teste ergométrico. In: Araújo, W. Cardiologia Desportiva, Rio de Janeiro, Medsi, 1986.
GILMAN, M. B. & WELLS, C. The use of heart rate to monitor exercise intensity in relation to metabolic variables, International Journal of Sports Medicine. v. 14, n. 6, pp. 339-344, 1993.
GUYTON, A. C. & HALL, J.E. Textbook of medical physiology. 9th ed. Philadelphia, W.B. Sanders co, 1996.
HENEIME, I.F. Biofísica Básica. Rio de Janeiro, Atheneu, 1987.
LÉGER, L. & THIVEIRGE, M. Heart rate monitors: validity stability and functionality. The Physician and Sports Medicine. v. 16, n. 5, pp. 43-51, 1988.
POMPEU, F.A.M.S., FLEGNER, A.J. & SANTOS, M.N. A validade e objetividade de diferentes marcas e modelos de monitores de freqüência cardíaca (FC) com transmissores de tórax. Trabalho apresentado no XII congresso Brasileiro e Jornada Internacional de Medicina do Esporte, Vitória, 1995.
URHAUSEN, A., COEN,B.L WILER, B. & KINDERMAN, W. Individual anaerobic threshold and maximal lactate steady state. International Journal of Sports Medicine. v. 14, n. 3, pp.134-139, 1993.
VANDER, A.J.; SHERMAN, J.H. & LUCIANO, D.S. Fisioliga Humana. São Paulo, MacGraw Hill, 1981.
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