Nossa Resistência

Caros Amigos,

Há momentos em que procuro refletir sobre a utilidade de nosso trabalho, se ele realmente está contribuindo para ajudá-los. Digo isso, pois a minha sensação é que ainda não conseguimos despertar a consciência dos corredores, pelo menos não da maioria deles. A tecnologia que colocamos no mercado, com seus circuitos sofisticados e praticamente à prova de falhas, não é suficiente para mudar a realidade das pessoas, quando a grande barreira está exatamente dentro delas: sua reação à mudança, sua resistência em entender o “modelo” de procedimentos no qual o nosso organismo se baseia.

O Corpo Humano também opera em um sistema de compromissos, troca de energia, concessões e outras coisas que os profissionais de saúde entendem muito bem. A questão é que nós, corredores ou praticantes de outros esportes precisamos conhecer o mínimo sobre estes assuntos, para que evitemos romper limites, que poderão nos levar à conseqüências inesperadas. Qual é o mínimo de conhecimento de que precisamos? 

Nosso organismo é composto por músculos, ossos, órgãos, tendões e outros mecanismos. Uma “máquina” maravilhosa que trabalha perfeitamente. Essa máquina possui partes que funcionam de forma automática, independentemente de nossa vontade, e outras que atuam sob o nosso comando. O conjunto de informações que é processado nessa máquina se transforma em mensagens e sinais que chegam até nós, através de linguagens próprias do corpo, diferentes sensações, como por exemplo: a dor e o prazer. Outras sensações subjetivas também são proporcionadas, mas as duas principais sempre serão as citadas anteriormente. Assim, nos movemos, consciente ou inconscientemente, sempre em função dessas duas sensações: procuramos evitar o que nos causa dor ou desconforto, e repetir o que nos conduz ao prazer. Mas, nem sempre a escolha entre a dor e o prazer, seja feita de forma a favorecer nossa saúde. Um bom exemplo é o uso de drogas.

No caso da prática esportiva, existem algumas armadilhas que podem provocar efeitos indesejáveis. Um praticante, pelo prazer de treinar ou competir, pode facilmente ultrapassar os próprios limites, acarretando outros efeitos indesejáveis, como a queda do rendimento e até as lesões graves. Ficar sempre alerta às várias mensagens do corpo não é simples como parece. As circunstâncias podem nos enganar facilmente. Nenhum atleta ou praticante sério permaneceria em um padrão de comportamento qualquer, se soubesse com antecipação que esse mesmo padrão iria lhe causar uma tendinite, ou uma outra lesão qualquer. A dor aparece sempre quando ultrapassamos nossos limites. Muitas vezes, mascarada por outros fenômenos. Ela surge somente quando a lesão já ocorreu.

 Porém, é um exagero ficarmos obcecados em interinterpretar todas as mensagens que o corpo nos dá!  Não há benefício algum ser um verdadeiro “laboratório ambulante”, medindo o máximo possível, todo o tempo. Temperatura, acúmulo de ácido láctico, consumo de oxigênio, freqüência cardíaca, pressão arterial, tamanho da passada, velocidade do corpo, velocidade do vento etc. Tenho certeza que a lista aumentaria, caso eu perguntasse a um especialista em Fisiologia que tipo de variáveis gostaria de medir durante o exercício. Entretanto, o que um simples praticante, correndo nas pistas do Ibirapuera em uma manhã de sol, gostaria de saber para evitar cair nas armadilhas do prazer do exercício?

Dentre todas as variáveis que podemos coletar, a freqüência cardíaca é, certamente, a de mais fácil interpretação. É claro que se eu tivesse uma máquina fantástica analisando meu sangue, “on-line, real time”, conseguiria informações de altíssima qualidade sobre o desempenho de meu corpo. Talvez, se eu ligasse alguns fios em minha cabeça, poderia também entender os padrões eletrônicos do Sistema Nervoso Central e, aí, entender o que está ocorrendo. Caso o meu Médico ou Treinador pudesse ter essas informações enquanto eu simplesmente corro, seria possível monitorar e prevenir o que acontece comigo.  Mas, eu sou apenas um corredor do Ibirapuera, despreocupado. Será que eu devo saber de tudo isso? Será que se soubesse teria condições de interpretar as informações recebidas e reagir apropriadamente? Acredito que não! Deixemos 90% desses recursos existentes, aos astronautas e atletas que pretendem quebrar os records dos deuses. Nós precisamos apenas de um pouco de boa vontade, algumas informações mínimas sobre como o nosso corpo funciona, uma boa avaliação inicial por parte de nosso Médico e do Treinador assistente e, por uma questão de aproveitamento eficiente do tempo e do esforço despendido, das mensagens que nossa freqüência cardíaca nos proporciona. Concluindo, são duas as variáveis que o corredor despreocupado com tantas informações precisa saber: a velocidade de nosso coração e a velocidade do tempo. A primeira para saber se não está ultrapassando seus próprios limites, e a segunda por razões óbvias: somos e sempre seremos escravos do Tempo, medindo e comparando constantemente nossa performance contra algum padrão conhecido ou desejado.

Por essas e outras razões, ainda não entendo a excitação de muitos, quando se deparam com alguma proposta eletrônica milagrosa, capaz de medir com precisão, até a velocidade de crescimento da unha de seu pé direito. Como também, não entendo, a persistência da maioria dos praticantes de esportes, em não perceber que, apesar de tudo que se diz e faz, a freqüência cardíaca não é uma linguagem médica de difícil compreensão, mas um mecanismo muito simples, disponível e eficiente para evitar que se aventurem por caminhos e experiências das quais só conseguirão sair pela dor ou pela frustração.

Um abraço e até a próxima!

José Carlos de Seixas

CEO – Proximus Tecnologia Ltda.

proximus@proximus.com.br

 

 

Agradecemos sua visita! Para que as publicações estejam cada vez mais próximas de seus interesses, gostaríamos de contar com sua colaboração na qualificação das questões abaixo:
O texto está escrito de forma clara, pôde compreendê-lo corretamente? O texto é útil para suas atividades profissionais?
Sim Sim
Não Não
Pode Melhorar Em parte
O texto é útil como conhecimento geral e pode lhe ajudar? Você gostaria de ler mais sobre esse assunto?
Sim Sim
Não Não
Em parte
Nome:

E-mail:

Tem interesse em ler sobre outros temas nesse veículo? Quais?


Voltar

Esse newsletter foi criado para compartilharmos com você tudo que sabemos sobre o exercício físico e suas vantagens. Se desejar receber as próximas edições em seu email, CLIQUE AQUI para se cadastrar. Indique nossa Newsletter aos seus amigos, mesmo que eles não possuam um de nossos equipamentos. Ficaremos felizes em compartilhar com eles, também, nossas experiências.


© 2006 Proximus Tecnologia - Rua Canuto Saraiva, n.º 7 - Muda - Tijuca - Rio de Janeiro / RJ. Tel: (21) 2238-6607