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Para correr mais rápido em curtas distâncias, é essencial que desenvolva fatores como a explosão e a força musculares. Esses treinos tem grandes componentes em nível percentual elevado da FCMax, porque treinar nosso desempenho anaeróbio. Quando estivermos treinando para desenvolver melhor em distâncias mais longas, nosso alvo principal será aumentar nossa tolerância ao ácido láctico e nossa capacidade de recuperação, além de melhorar o transporte de oxigênio através do treinamento aeróbio. E isso nos traz mais duas variáveis interessantes: “aeróbio” e “anaeróbio”. Esses termos referem-se a situações em que nossos músculos estão trabalhando com suprimento suficiente de oxigênio (aeróbio) ou reduzido (anaeróbio). Como você pode imaginar, nossos músculos conseguem trabalhar durante um certo período curto com suprimento insuficiente de oxigênio. Essa capacidade não dura mais que alguns poucos minutos (para atletas bem treinados). Depois disso, outros “travamentos” são acionados pelo corpo para impedir que ele seja destruído por trabalhar “a sêco” (sem oxigênio). É como se tentássemos fazer nosso carro continuar desempenhando em alta velocidade sem que a gasolina chegasse lá. No nosso caso, nosso corpo, mesmo sem a tal “gasolina”, continua funcionando, usando suas próprias reservas. Depois disso, ele para.
Todas essas decisões de treinamento baseiam-se em percentuais da FCMax. Quanto mais preciso for o nosso conhecimento desse número, tanto mais eficientes serão nossos cálculos de treinamento. Não estou querendo aqui falar sobre os “Ciclos de Treinamento” ou “Periodização”. Isso tem a ver com a aplicação de uma sobrecarga ao seu exercício, seguida de um período de recuperação e de outra sobrecarga, e assim sucessivamente até que o Corpo venha a se adaptar aos novos limites impostos através de um fenômeno conhecido como “supercompensação”. O investimento em conhecer mais sobre isso trará retorno expressivo à qualidade de seu treinamento, e certamente reduzirá a possibilidade de lesões.
Entretanto, muitos ainda treinam sem se incomodar com isso, e nem ao menos acompanham a própria Freqüência Cardíaca. Pra quê? Eu já sei tudo sobre mim mesmo – diria um “experiente” corredor de rua. Esse descaso pode trazer surpresas desagradáveis. O desconhecimento das próprias condições físicas é um risco que um atleta não deve correr, para que o seu esporte favorito não vire fonte de sofrimento, em lugar de fonte de prazer. Quanto menos experiente for um atleta, mais necessitará conhecer os próprios limites.
Finalizando, procure saber o mais que puder sobre seu próprio corpo, especialmente sua FCMax. Procure entender o percentual que é aplicado aos seus exercícios, e também os planos a que se submete, caso esses planos sejam elaborados por terceiros. Não deixe de acompanhar o que acontece, especialmente a evolução (ou involução) de sua capacidade de recuperação, a incidência de dores musculares ou lesões recorrentes, a insuficiência do sono reparador, o estresse desnecessário. Tudo isso pode significar que o seu treinamento não está adequado às suas necessidades. Se quiser saber onde está, para onde vai e o que deve evitar, a sua Freqüência Cardíaca é um excelente indicador, desde que associada aos percentuais de FCMax que mencionamos rapidamente neste texto.
Para medir sua Freqüência Cardíaca durante o treinamento, você pode usar a palpação radial (contar o pulso durante 10 segundos e multiplicar por 6). Não use a palpação das carótidas (pescoço) por que isso pode causar outros fenômenos perigosos (consulte seu médico sobre isso). Se achar que isso não é muito fácil, ou muito preciso, use um Monitor de Freqüência Cardíaca. Você verá que o investimento valeu a pena.
Até a próxima!
José Carlos de Seixas
CEO - Proximus Tecnologia Ltda.
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