VENCENDO LIMITES

Caros Amigos,

Nas edições anteriores, nós conversamos um pouco sobre o tal “espaço operacional” em que se inserem as atividades do treinamento. Vimos como tudo se resume a um conjunto de variáveis, delimitado por um espaço útil formado por uma condição física mínima e outra máxima. O nosso treinamento ocorre dentro desse intervalo, e nós utilizamos uma certa quantidade de técnicas para sair de um nível mais baixo para outro, mais elevado, com maior rapidez possível. As melhores técnicas de treinamento são aquelas que combinam a velocidade de aperfeiçoamento, a eficiência e a possibilidade mínima de lesão ou mal estar.

Em outras futuras edições falaremos sobre a importância de se registrar o passado para melhor planejar o futuro. Chamaremos atenção para a necessidade de manutenção dos “diários de treinamento”, simples ou informatizados, que contenham os resultados de seu trabalho e sirvam de referência para possíveis mudanças. O conhecimento das estruturas de nosso corpo, e de como transformá-las ou recuperá-las para nosso próprio benefício, é um dos objetivos educacionais que deveríamos perseguir.

Já discutimos anteriormente, sobre a importância do conhecimento de nossos limites, e de como tais limites podem ser acompanhados e/ou medidos pela freqüência cardíaca. Entretanto, existe ainda um número expressivo de corredores que desconhecem essas questões. Para nosso espanto, já soubemos até de técnicos que não consideram essas tecnologias, apesar da incontestável evidência científica que pode ser acompanhada a partir de estudos aplicados, como o apresentado no artigo Validade do Monitor Telimétrico de Freqüência Cardíaca, publicado na edição de Junho. Eles preferem submeter seus atletas a riscos desnecessários, ou a treinamentos ineficientes, sob o argumento de que a tecnologia implica em custos que não conseguem suportar. Tais argumentos são falaciosos e um atleta que tenha o mínimo de respeito por seu corpo, não pode deixar de considerar a contribuição científica efetiva à sua qualidade de treinamento e proteção.

O soldado grego Pheidippides, cuja experiência deu origem à Maratona dos tempos modernos, depois de ter corrido uma distância de, aproximadamente, 200 km, morreu. Ele não sabia coisa alguma sobre os limites do próprio corpo e morreu porque sua vontade foi superior aos seus limites. Nos últimos tempos já assistimos finais de Maratonas Olímpicas em que um atleta completava seu percurso completamente exausto. Uma cena famosa, exibida “ad nauseam” pela imprensa há alguns anos, mostrou uma atleta que completou a Maratona praticamente engatinhando. Nunca se falou muito sobre o que aconteceu com essa atleta depois desse feito, considerado por muitos como “heróico”. Alguém me disse que essa mesma atleta nunca mais correria outra Maratona, porém não tenho maiores detalhes disso. Se isso foi mesmo verdade, teríamos nada mais que um outro exemplo de uma vida atlética que poderia ter sido mais bem aproveitada, ou que talvez tenha se encerrado prematuramente.

Graças à ciência e à tecnologia, hoje temos milhares de pessoas que correm uma Maratona e ainda encontram disposição para o divertimento e o lazer. Ainda temos um longo caminho pela frente, para que a conscientização alcance o nível necessário, e para que um número cada vez maior de pessoas possa desfrutar o que de melhor a corrida tem a nos oferecer, ou a caminhada, para aqueles que ainda não conseguem ou não se sentem bem correndo. Um fanático por corridas uma vez me disse que “só caminha quem não pode correr”. Uma frase polêmica, mas que traz algo de verdadeiro. O entusiasmo que o treinamento nos proporciona faz com que, cada vez mais, busquemos acelerar nosso ritmo. Da caminhada à corrida parece ser uma evolução muito natural.

Entretanto, por que é tão difícil entender que é necessário respeitar os próprios Limites? Não há técnica nem estilo de treinamento que sejam suficientemente poderosos para medir, de forma precisa, os limites de quem os empregam. Esses limites podem ser facilmente controlados pela observação da freqüência cardíaca durante o exercício. Hoje, além de acompanhar a freqüência cardíaca, os equipamentos de que dispomos permitem uma variedade incrível de recursos, com alta precisão, todos capazes de facilitar e aperfeiçoar o nosso treinamento. Não é preciso sentir dor para evoluir atleticamente. Não é preciso correr riscos para exercitar o prazer da corrida. Não é preciso treinar obsessivamente para alcançar melhores resultados. Nós batemos nessa mesma tecla há muito tempo, e continuaremos batendo, com a ajuda de todos os Técnicos conscientes que enxergaram o óbvio: monitorar a freqüência cardíaca pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso no que se refere ao desempenho atlético.

Até breve!

José Carlos de Seixas

CEO – Proximus Tecnologia Ltda.
proximus@proximus.com.br

 

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