ALIMENTOS PARA ATLETAS

No dia 27 de abril de 2010, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), publicou a Resolução nº 18, aprovando o regulamento técnico sobre Alimentos para Atletas.  Esta veio para substituir a Portaria nº 222 de 1998, a qual fixou a identidade e as características mínimas de qualidade que deveriam obedecer os Alimentos para Praticantes de Atividade Física.  No artigo “Creatina gera polêmica – Parte II” (Newsletter Proximus de julho de 2008), detalhei as principais características da Portaria nº 222. No texto deste mês, irei destacar as principais modificações propostas pela Resolução nº 18 de forma simples e esclarecedora. Espero que gostem!

Em 1998, os Alimentos para Praticantes de Atividade Física foram classificados em: Repositores Hidroeletrolíticos para Praticantes de Atividade Física, Repositores Energéticos para Atletas, Alimentos Proteicos para Atletas, Alimentos Compensadores para Praticantes de Atividade Física, Aminoácidos de Cadeia Ramificada para Atletas e outros alimentos com fins específicos. A Resolução nº 18 trouxe uma nova classificação, ordenando os alimentos da seguinte maneira: Suplemento Hidroeletrolítico para Atletas, Suplemento Energético para Atletas, Suplemento Proteico para Atletas, Suplemento para Substituição Parcial de Refeições de Atletas, Suplemento de Creatina para Atletas e Suplemento de Cafeína para Atletas. As empresas terão o prazo de 18 meses a contar da data de publicação da resolução para realizar as alterações exigidas.

Veja na tabela abaixo as principais características de cada regulamentação e as respectivas comparações entre a antiga Portaria nº 222 e a Resolução nº 18, já em vigor. Note que algumas categorias anteriormente indicadas para praticantes de atividade física passaram a ser sugeridas para atletas, que os aminoácidos de cadeia ramificada não poderão mais ser comercializados para este público, e que agora, creatina e cafeína poderão ser suplementadas. Além disso, para cada uma das categorias, foram sugeridas disposições mais detalhadas quanto à qualidade e/ou concentração de alguns nutrientes.

 

Portaria nº 222 de 24 de março de 1998

Resolução nº 18 de 27 de abril de 2010
Repositores Hidroeletrolíticos para Praticantes de Atividade Física Suplementos Hidroeletrolíticos para Atletas

DEFINIÇÃO

Esta portaria conceituou os "Repositores Hidroeletrolíticos" como produtos formulados a partir da concentração variada de eletrólitos, associados a concentrações variadas de carboidratos, com o objetivo de reposição hídrica e eletrolítica decorrente da prática de atividade física A nova resolução os caracteriza apenas como produtos destinados a auxiliar a hidratação

SÓDIO, CLORETO E CARBOIDRATOS

Os "Repositores Hidroeletrolíticos" apresentavam concentrações variadas de sódio, cloreto e carboidratos em sua composição O "Suplemento Hidroeletrolítico para Atletas" pronto para consumo agora deverá conter:
  • Concentração de sódio entre 460 e 1.150 mg/l, devendo ser utilizados sais inorgânicos para fins alimentícios como fonte de sódio;
  • Osmolalidade inferior a 330 mOsm/kg de água e;
  • Carboidratos, que podem constituir até 8% (mg/v)

VITAMINAS, MINERAIS E POTÁSSIO

A Portaria nº 222 permitia a adição destes produtos Na Resolução nº 18, os suplementos hidroeletrolíticos devem obedecer a seguinte composição:
  • Potássio - deve obedecer o limite mínimo adicionado, que deve ser de até 700mg/l. Outros nutrientes que não sejam minerais e vitaminas, não-nutrientes e fibras alimentares não podem ser adicionados
Repositores Energéticos para Atletas Suplementos Energéticos para Atletas

DEFINIÇÃO

 

Foram classificados como produtos formulados com nutrientes para permitir o alcance e/ou manutenção do nível apropriado de energia para atletas

 

Agora, são produtos destinados somente a complementar as necessidades energéticas

CARBOIDRATOS

Deveriam constituir, no mínimo, 90% dos nutrientes energéticos presentes na formulação Agora, este tipo de produto deve conter, no mínimo, 75% do valor energético total proveniente dos carboidratos

VITAMINAS E MINERAIS

Nestes produtos, vitaminas e minerais podiam ser adicionados. O produto poderia ainda conter carboidratos e gorduras, desde que a soma dos percentuais do valor calórico total de ambos não superasse o percentual de proteínas A Resolução nº 18 não alterou a regulamentação anterior para vitaminas e minerais. Os "Suplementos Energéticos para Atletas" podem ainda ser acrescidos de líquidos e proteínas intactas e/ou parcialmente hidrolisadas, porém, não podem conter adição de não-nutrientes e fibras alimentares

Repositores Energéticos para Atletas

Suplementos Energéticos para Atletas

DEFINIÇÃO

Foram classificados como produtos formulados com nutrientes para permitir o alcance e/ou manutenção do nível apropriado de energia para atletas Agora, são produtos destinados somente a complementar as necessidades energéticas

CARBOIDRATOS

Deveriam constituir, no mínimo, 90% dos nutrientes energéticos presentes na formulação Agora, este tipo de produto deve conter, no mínimo, 75% do valor energético total proveniente dos carboidratos

VITAMINAS E MINERAIS

Podiam ser adicionados A Resolução nº 18 não alterou a regulamentação anterior para vitaminas e minerais. Os "Suplementos Energéticos para Atletas" podem ainda ser acrescidos de líquidos e proteínas intactas e/ou parcialmente hidrolisadas, porém, não podem conter adição de não-nutrientes e fibras alimentares

Alimentos Proteicos para Atletas

Suplementos Proteicos para Atletas

DEFINIÇÃO

A Portaria nº 222 caracterizou este grupo como substâncias compostas predominantemente de proteína(s), hidrolisada(s) ou não, em sua composição, formulados com o intuito de aumentar a ingestão deste(s) nutriente(s) ou complementar a dieta de atletas, cujas necessidades proteicas não fossem supridas pelas fontes alimentares habituais

De acordo com a nova resolução, os "Suplementos Proteicos para Atletas" são produtos destinados a complementar as necessidades proteicas

PROTEÍNAS

A regulamentação anterior exigia que a composição proteica fosse constituída de, no mínimo, 65% de proteínas de qualidade nutricional equivalente às proteínas de alto valor biológico, sendo estas formuladas a partir da proteína intacta e/ ou hidrolisada. A adição de aminoácidos específicos também era permitida para repor as concentrações dos mesmos níveis do alimento original, perdidos em função do processamento, ou para corrigir limitações específicas de produtos formulados à base de proteínas incompletas em quantidade suficiente para atingir alto valor biológico, no mínimo, comparável ao das proteínas do leite, carne ou ovo A Resolução nº 18 exige que este produto, pronto para consumo, deva conter no mínimo:
  • 10g de proteína na porção;
  • 50% do valor energético total proveniente das proteínas e;
  • Que a composição proteica do produto deva apresentar PDCAAS(*) acima de 0,9.

(*) – PDCAAS (Protein Digestibility Corrected Amino Acid Score): escore aminoacídico corrigido pela digestibilidade da proteína para a determinação de sua qualidade biológica

VITAMINAS E MINERAIS

Nestes produtos, vitaminas e minerais podiam ser adicionados. O produto poderia ainda conter carboidratos e gorduras, desde que a soma dos percentuais do valor calórico total de ambos não superasse o percentual de proteínas A Resolução nº 18 não alterou a regulamentação anterior para vitaminas e minerais, porém, os "Suplementos Proteicos para Atletas" não podem ser adicionados de não-nutrientes e fibras alimentares
Alimentos Compensadores para Praticantes de Atividade Física Suplementos para Substituição Parcial de Refeições de Atletas

DEFINIÇÃO

A Portaria nº 222 definiu os "Alimentos Compensadores para Praticantes de Atividade Física" como produtos formulados de forma variada para serem utilizados na adequação de nutrientes da dieta para praticantes de atividade física A Resolução nº 18 define estes suplementos como produtos destinados a complementar as refeições de atletas em situações nas quais o acesso à alimentação habitual seja restrito

CARBOIDRATOS

Era exigido que a quantidade de carboidratos nos "Alimentos Compensadores para Praticantes de Atividade Física" devia estar abaixo de 90% do valor energético total Agora, estas substâncias devem corresponder entre 50% e 70% do valor energético total do produto pronto para consumo

PROTEÍNAS

Do teor de proteínas presentes no produto, no mínimo, 65% devia corresponder à proteína de alto valor biológico Nos "Suplementos para Substituição Parcial de Refeições de Atletas", a quantidade de proteínas deve corresponder entre 13% a 20% do valor energético total do produto pronto para consumo. A composição proteica deve apresentar PDCAAS acima de 0,9

LIPÍDIOS

Era exigida a relação de 1/3 de gordura saturada para 1/3 de gordura monoinsaturada para 1/3 de gordura poli-insaturada Agora a quantidade de lipídios no suplemento deverá corresponder, no máximo, a 30% do valor energético total do produto pronto para consumo e os teores de gorduras saturadas e gorduras trans não podem ultrapassar entre 1% e 10% do valor energético total, respectivamente

VITAMINAS E MINERAIS

Podiam ser adicionados A Resolução nº 18 não alterou a regulamentação anterior. O produto deverá ainda fornecer, no mínimo, 300kcal por porção, podendo também ser adicionado de fibras alimentares

AMINOÁCIDOS DE CADEIA RAMIFICADA PARA ATLETAS

A Portaria nº 222 os classificou como produtos formulados a partir de concentrações variadas de aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA'S), com o objetivo de fornecer energia para atletas. Concentrações de aminoácidos de cadeia ramificada (valina, leucina e isoleucina), isolados ou combinados deveriam constituir no mínimo, 70% dos nutrientes energéticos da formulação, fornecendo na ingestão diária recomendada até 100% das necessidades diárias de cada aminoácido Na Resolução nº 18, os aminoácidos de cadeia ramificada ficam temporariamente dispensados da obrigatoriedade de registro e podem ser comercializados desde que:
  • Não sejam indicados para atletas e;
  • Não contenham indicação de uso para atletas na designação, rotulagem e qualquer que seja o material promocional do produto

 

Apenas a partir da Resolução nº 18 de 27 de abril de 2010

Suplementos de Creatina para Atletas
Definição: São produtos destinados a complementar os estoques endógenos de creatina
Concentrações de creatina: O produto pronto para consumo deve conter de 1,5g a 3,0g na porção
Apresentação da creatina: Deve ser utilizada na formulação do produto creatina mono-hidratada com grau de pureza mínima de 99,9%
Outras Disposições Gerais: Não podem ser adicionados de fibras alimentares
Suplementos de Cafeína para Atletas
Definição: Produto destinado a aumentar a resistência aeróbica em exercícios
Concentrações de cafeína: O produto deve fornecer entre 210mg e 420mg na porção
Apresentação da cafeína: Deve ser utilizada na formulação do produto cafeína com teor mínimo de 98,5% de 1,3,7-trimetilxantina, calculada sobre a base anidra
Outras Disposições Gerais: Não podem ser adicionados de nutrientes e de outros não- nutrientes

Prezados leitores, em função de ter que me dedicar ainda mais ao meu doutoramento, suspenderei temporariamente a minha contribuição bimestral para a Newsletter Proximus. Entretanto, me coloco à disposição dos leitores que desejarem enviar suas dúvidas sobre nutrição e suplementação esportiva através do e-mail contato@leticiaazen.com.br.

Até a próxima!