Benefícios da atividade física na floresta para a saúde

ImageEm novembro de 2010 escrevi sobre os benefícios do contato com a natureza para a saúde no artigo SINTA O VERDE! Em janeiro deste ano a revista Go Outside publicou matéria da jornalista Florence Williams falando sobre a experiência que teve na Floresta do Japão. Florence passou alguns dias no local com neurocientistas para conhecer os efeitos psiconeuroimunológicos das áreas verdes para a saúde física e psicológica. A matéria está disponível em inglês no link a seguir: “Take Two Hours of Pine Forest and Call Me in the Morning”. 

 
No Japão, a atividade realizada na floresta chama-se “Shinrinyoku” que em português quer dizer  “Floresta Terapia”. Pesquisadores daquele país vêm estudando os efeitos psicofisiológicos das pessoas que realizam atividade física nestes ambientes. Os resultados mostram que os benefícios para quem pratica exercícios nestes espaços são significativos à saúde. Nestes indivíduos, foi verificada a redução da pressão sanguínea e do ritmo cardíaco e um aumento significativo na atividade de células assassinas naturais (“Natural Killer”), que são produzidas pelo sistema imunológico, evitando infecções.  
 
ImageAssim, não é de surpreender que o tempo gasto na floresta possa ser calmante, especialmente quando você ouve os sons dos animais, vê as plantas e sente o cheiro das árvores. Outro estudo japonês mostrou que apenas olhar o cenário destes espaços por vinte minutos reduz os níveis de cortisol salivar em 13,4% se comparado à média das concentrações de moradores da cidade. Além disso, na floresta existem as phytoncides que são compostos de óleos voláteis emitidos pelas árvores que agem como um antimicrobiano no organismo ao ser inalado.
 
ImageUm outro estudo mostrou o aumento da variabilidade da frequência cardíaca em pessoas que ficaram durante três dias e duas noites em meio á vegetação cerrada.
A partir das pesquisas de Shinrin-yoku no Japão, os cientistas documentaram trinta e um locais de florestas com efeitos relaxantes. Os visitantes dessas áreas já podem até realizar exames médicos, ter aulas de respiração e usufruir dos benefícios da aromaterapia. Podem também realizar caminhadas conduzidas por especialistas. Algumas empresas japonesas já estão incluindo o Shinrin-yoku no plano de saúde dos funcionários.
 
Cérebro e a Natureza
A natureza propiciou que o nosso cérebro levasse milhões de anos para evoluir. As florestas, o mar, o céu azul, entre outros ambientes naturais deram todas as condições para que as espécies fossem evoluindo nos habitats naturais. Nos dias atuais, para o Homo sapiens moderno, o ambiente do cérebro são as salas de aula, escritórios, shoppings, trânsito... um turbilhão de estímulos nocivos à saúde. Por outro lado, em contato com a natureza, logo o cérebro percebe os sons familiares, como os cantos das aves, dos insetos, das folhas, entre outros estímulos. 
 
ImageA figura ao lado mostra um estudo realizado em 1973 sobre a diferença entre o cérebro de um japonês e o de um ocidental. A figura mostra claramente que os sons da natureza são discriminados pelo hemisfério esquerdo de um japonês, enquanto de um ocidental é pelo lado direito. Isto se deve ao fato dos japoneses ensinam às crianças a escutar a natureza desde a pré-escola, seja para as questões dos desastres naturais - pelo fato do Japão ser uma ilha - seja para a importância de valorizarem o ambiente que vivem e saberem preservá-lo.
 
ImageAs fotos que estão distribuídas no texto revelam  uma trilha situada no bairro catarinense de Cacupé. O percurso é de aproximadamente 1km. Os frequentadores deste ambiente podem usufruir do contato com  plantas, animais, apreciar maravilhosa vista para o mar e ainda podem contar com locais para descansar. A atividade na trilha é o momento de “mindfulness”, de pleno contato com a natureza. 
 
Para o próximo artigo, deixo algumas perguntas e lanço um fórum de ideias para que possamos sugerir meios para implantar a atividade física em ambientes naturais.
 
O treino para condicionamento físico de atletas realizado na floresta cansa menos?
A recuperação após um treino na academia é mais rápida nestes espaços?
O desempenho escolar é mais alto para quem estuda junto à natureza?
Um hospital no meio da mata, quais os resultados/impactos para a saúde e recuperação dos pacientes?
Quais tecnologias esportivas podem ser desenvolvidas para atividade física na floresta?
 
Num futuro próximo, quem sabe poderemos contar com uma unidade de Shinrin-yoku em vários locais onde existam trilhas e porque não, nas praias também? Vocês podem enviar suas ideias para takase@educacaocerebral.com com o tema do email: “Floresta-Saúde”. Vou organizar as ideias de vocês e no próximo artigo vou escrever sobre as mesmas. 
 
Um abraço a todos e até a próxima!
 

Sugestão de trilhas e espaços verdes para meditação e atividades físicas
 
 
 
 
Artigos Completos e Free sobre o Shinrin-yoku
 
 
Referências
 
Park et al. (2007) Physiological effects of Shinrin-yoku (taking in the atmosphere of the forest) using salivary cortisol and cerebral activity as indicators. J Physiol Anthropol 26(2):123-8.
 
Li et al. (2008) A forest bathing trip increases human natural killer cell activity and expression of anti-cancer proteins in female subjects. J Biol Regul Homeostat Agents. 22(1):45-55.
 
Li et al. (2008) Visiting a forest, but not a city, increases human natural killer cell activity and expression of anti-cancer proteins. Int J Immunopathol Pharmacol. 21(1): 117-27.
 
Li et al. (2009) Effect of phytoncide from trees on human natural killer cell function. Int J Immunopathol Pharmacol. 22(4): 951-9.
 
Park et al. (2010) The physiological effects of Shinrin-yoku (taking in the forest atmosphere or forest bathing): evidence from field experiments in 24 forests across Japan. Environ Health Preventative Med. 15(1): 18-26.
 
Tsunetsugu et al. (2010) Trends in research related to Shinrin-yoku (taking in the forest atmosphere or forest bathing) in Japan. Environ Health Preventative Med. 15(1):27-37.
 
 
Sugestão de leitura
 
Livro